Eventos comunitários têm um papel fundamental no ecossistema de cibersegurança, e o Hack in Brasil é um ótimo exemplo disso.
Conversamos com Pedro Buxbaum, que participou como palestrante do evento, para falar sobre sua experiência, o tema da sua apresentação e a importância de fortalecer a comunidade, especialmente em um momento em que a IA ganha cada vez mais espaço.
Como foi sua experiência como palestrante no Hack in Brasil?
Foi uma experiência muito especial.
Minha última participação como palestrante em eventos de segurança tinha sido em 2019, pouco antes da pandemia. Então, voltar agora e reencontrar a comunidade do Rio, trocar ideias e compartilhar conhecimento foi algo que me motivou bastante, tanto no lado pessoal quanto profissional.
Desde que recebi o convite, levei a preparação bem a sério. Passei cerca de um mês estudando, me aprofundando no tema e organizando o conteúdo para entregar algo realmente relevante.
Durante a apresentação, ver o público engajado, fazendo perguntas e participando ativamente foi muito gratificante. No final, fiquei com a sensação de missão cumprida.
O que te motivou a aceitar o convite para palestrar?
A pandemia mudou bastante a dinâmica dos eventos.
Durante esse período e até um pouco depois, vimos uma migração muito forte para conteúdos online, como lives, webinars e podcasts. Isso foi importante, mas também acabou deixando uma lacuna.
Antes disso, eu tinha uma rotina bem ativa com encontros presenciais, principalmente na época da faculdade, onde a gente se reunia para estudar, trocar ideias e produzir conteúdo. Quando isso acabou, ficou aquela sensação de distanciamento da comunidade.
Quando surgiu a oportunidade de voltar a palestrar, fez muito sentido para mim. Foi o momento certo.
Sobre o que foi sua palestra?
Falei sobre LLMs, Large Language Models, e segurança.
A ideia foi construir um caminho que começasse nos fundamentos, explicando o que é IA e como esses modelos funcionam, e evoluísse até uma visão mais prática voltada para segurança da informação.
Abordei pontos como funcionamento dos modelos, cenário atual, impactos na segurança, riscos do OWASP Top 10 for LLMs com exemplos reais, boas práticas, frameworks e regulamentação no Brasil e no mundo.
Por que escolheu esse tema?
Porque estamos vivendo a era da IA.
Na prática, vejo que muita gente ainda está focada apenas no potencial da tecnologia e pouco se fala sobre os riscos envolvidos no uso dela.
Esse é um tema muito presente no meu dia a dia no ambiente corporativo. E acredito que essa conscientização precisa ir além da área de segurança e alcançar qualquer pessoa que utilize essas ferramentas.
Qual a importância de eventos como o Hack in Brasil para a comunidade?
Eventos comunitários são essenciais.
Eles são mais próximos da realidade das pessoas e promovem uma troca direta, com foco em aprendizado e networking.
Isso vale para qualquer momento da carreira. Quem está começando encontra direcionamento. Quem já está no mercado encontra novas ideias e conexões.
Muita coisa nasce nesses espaços, como projetos, parcerias e até novas comunidades.
Você acredita que esses eventos ajudam a formar novos talentos?
Sem dúvida.
Novos profissionais precisam de orientação, direcionamento e motivação. E eventos como o Hack in Brasil entregam exatamente isso.
No meu caso, foi uma palestra que assisti em 2017 que mudou completamente minha trajetória.
Depois daquela experiência, criei com colegas um grupo de estudos focado em segurança, onde produzíamos conteúdo, fazíamos projetos e evoluíamos juntos na área.
Esse tipo de iniciativa nasce justamente desse primeiro contato que eventos proporcionam.
Que conselho você daria para quem quer palestrar, mas ainda não teve coragem?
Comece por eventos comunitários.
Eles são o melhor ambiente para dar esse primeiro passo, com menos pressão e mais abertura para troca.
Se surgiu a ideia de uma palestra, produza. Organize suas ideias e compartilhe.
No fim, palestrar não é sobre performance, é sobre troca de conhecimento.
Quando você entende isso, a ansiedade diminui, a confiança aumenta e a experiência se torna muito mais natural.
Para fechar, o que ficou dessa experiência?
Mais do que apresentar um tema, foi uma oportunidade de me reconectar com a comunidade.
E reforçar algo que considero essencial: a evolução na segurança da informação acontece em conjunto, na troca, na colaboração e nesses encontros.